2007-02-12

Quero uma música par mim.
Uma música que me pinte a vida. Sem todas as tristezas e sem todas as alegrias. Porque não são minhas todas as tristezas, nem são minhas todas as alegrias.
Quero uma música para mim, que seja só minha. Que seja verdadeira, sem falsear o sentir.
Serei egoísta no meu pedir?
Não é um pedir, é só um querer...
E os quereres, querem-se mesmo quando não se podem ter.
Também teria de cantar isso a minha música, porque está cheia de quereres a minha vida.
Ainda espera ser (vivida).
De tantos quereres poderá perder-se sem saber o que quer e perder-se novamente no procurar esquecendo-se de viver (ser).
Acabará por ser assim...
Um não ser que será sempre enquanto o seu fim não chega.
Neste estar, que não fica, o ser não sabe.
Procura (se) (te) (em);
mim, ti, na.
É uma busca que não vê o fim e acabará por ser assim.
Será verdade por não saber que é mentira. Como tantas proferidas com convicção. A que morreu de tanto cair.
Não existe música para mim...
Teria de ser eternamente cantada e eternamente não entendida na sua mutação constante.
Fico até ao fim.