Posso largar sem deixar cair?
Posso largar sem deixar cair?
Tropeço na sombra, caio.
Caio eu, mas não largo.
Não largo porque não sei...
Não sei se ao largar deixo cair!
A sombra olha para mim sem expressão, e nem me ajuda a levantar.
Joelhos esfolados, sacudo-me só com uma mão, porque não posso largar.
Não posso largar porque não sei...
Ainda está ali, ainda olha para mim sem expressão.
Que vê ela?
- Que vês tu? - Pergunto eu impertinente.
Não responde...
- Não respondes?!
Não responde...
Viro-lhe as costas, caminho sem pensar no percurso entre o partir e o chegar.
Caminho e penso: Posso largar sem deixar cair?
Tropeço outra vez...
Tropeço na lucidez.
Não caio, mas aperto a mão com mais força, porque não posso deixar cair.
A lucidez ri esgaziada.
Lanço-lhe um olhar franzido, de julgamento e incompreensão.
- De que ris tu? - Pergunto eu.
A lucidez faz uma pausa no seu riso e pergunta:
- Porque não abres a mão?
- Não posso, não sei...
Volta uma gargalhada ainda mais extridente.
Não percebo... Pergunto:
- Posso largar sem deixar cair?
A lucidez pára.
Inspira,
e inexpressiva pergunta:
- O que é que estás a segurar?
Tropeço na sombra, caio.
Caio eu, mas não largo.
Não largo porque não sei...
Não sei se ao largar deixo cair!
A sombra olha para mim sem expressão, e nem me ajuda a levantar.
Joelhos esfolados, sacudo-me só com uma mão, porque não posso largar.
Não posso largar porque não sei...
Ainda está ali, ainda olha para mim sem expressão.
Que vê ela?
- Que vês tu? - Pergunto eu impertinente.
Não responde...
- Não respondes?!
Não responde...
Viro-lhe as costas, caminho sem pensar no percurso entre o partir e o chegar.
Caminho e penso: Posso largar sem deixar cair?
Tropeço outra vez...
Tropeço na lucidez.
Não caio, mas aperto a mão com mais força, porque não posso deixar cair.
A lucidez ri esgaziada.
Lanço-lhe um olhar franzido, de julgamento e incompreensão.
- De que ris tu? - Pergunto eu.
A lucidez faz uma pausa no seu riso e pergunta:
- Porque não abres a mão?
- Não posso, não sei...
Volta uma gargalhada ainda mais extridente.
Não percebo... Pergunto:
- Posso largar sem deixar cair?
A lucidez pára.
Inspira,
e inexpressiva pergunta:
- O que é que estás a segurar?

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